A diversificação de destinos tem sido uma tendência constante na exportação de milho brasileiro nos últimos anos, e o Peru vem ganhando espaço entre os mercados observados com atenção pelo setor. Tradicionalmente abastecido por fornecedores vizinhos e por origens da América do Norte, o país andino tem uma demanda interna de milho voltada principalmente à indústria de rações para aves e suínos, o que o aproxima do perfil de comprador já conhecido pelo agronegócio exportador brasileiro em outros mercados da América Latina e da Ásia.

Por que o Peru chama atenção do agronegócio exportador

O Peru não produz milho em escala suficiente para atender integralmente sua cadeia avícola e suína, que cresce acompanhando o consumo interno de proteína animal. Essa lacuna estrutural entre produção e consumo é o tipo de cenário que historicamente abre espaço para novos fornecedores externos, e o Brasil, como um dos maiores produtores e exportadores globais do grão, tende a figurar entre as origens avaliadas por importadores da região.

O desafio da logística até o Pacífico

Se a demanda é um atrativo, a logística ainda é o principal ponto de atenção para quem avalia o mercado peruano. Diferentemente dos fluxos tradicionais do milho brasileiro, escoados majoritariamente pelos portos do Arco Norte e do Sul e Sudeste do país com destino ao Atlântico, uma eventual rota para o Peru dependeria de alternativas como o transporte marítimo via Canal do Panamá ou de corredores terrestres que conectem o Centro-Oeste brasileiro a portos do Pacífico sul-americano, tema que já vem sendo discutido no país em projetos de integração rodoviária com os vizinhos andinos. Esse é um fator que normalmente pesa na competitividade de preço frente a outras origens mais próximas do Pacífico.

O olhar da Agri Fusion Exports sobre novos mercados

Para empresas exportadoras de commodities agrícolas como a Agri Fusion Exports, sediada em Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, o acompanhamento de mercados emergentes como o peruano faz parte da rotina de inteligência comercial. Mapear a demanda estrutural de cada país, entender as particularidades logísticas e regulatórias envolvidas e avaliar a viabilidade comercial de cada rota são etapas que antecedem qualquer movimento mais concreto em direção a um novo destino de exportação.

Ainda é cedo para afirmar em que ritmo essa relação comercial pode evoluir, mas o interesse crescente por mercados menos tradicionais reforça um movimento mais amplo do agronegócio brasileiro: o de não depender excessivamente de poucos compradores e buscar, de forma gradual, uma pauta de exportação de milho mais diversificada e resiliente a oscilações regionais de demanda.

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