Criado pelo Código Florestal de 2012, o Cadastro Ambiental Rural (CAR) é um registro eletrônico e autodeclaratório no qual o produtor informa os limites do imóvel rural, as áreas de preservação permanente, as reservas legais e os remanescentes de vegetação nativa. Pensado originalmente como ferramenta de gestão ambiental e regularização de propriedades, o CAR vem ganhando um papel cada vez mais relevante também na ponta comercial, como peça de sustentação da origem da soja, do milho, do sorgo e do algodão que chegam aos portos brasileiros.
Da regularização ambiental à rastreabilidade comercial
Compradores internacionais, tradings e indústrias processadoras têm intensificado a exigência de comprovação de que os grãos e fibras adquiridos não têm origem em áreas desmatadas irregularmente. Nesse contexto, o CAR passou a ser cruzado com imagens de satélite e outras bases fundiárias para checar, de forma indireta, se a produção de uma determinada fazenda é compatível com as normas ambientais vigentes. Esse tipo de verificação tende a ganhar mais peso à medida que novas exigências de sustentabilidade, como regulamentações antidesmatamento de blocos econômicos importadores, avançam em seus cronogramas de implementação.
Um elo entre o campo e o contrato de exportação
Na prática, o CAR tornou-se um dos documentos de referência consultados por equipes de compliance e sustentabilidade antes da formalização de contratos de compra de commodities agrícolas. Entre os pontos que costumam ser observados estão:
- A situação de regularidade do cadastro junto ao órgão ambiental competente;
- A compatibilidade entre a área produtiva declarada e os polígonos georreferenciados da propriedade;
- A ausência de sobreposição com áreas embargadas ou de restrição ambiental;
- A consistência entre o CAR e outras bases de monitoramento de uso do solo.
Esse cruzamento de informações não substitui os demais instrumentos de controle documental da cadeia agrícola, mas se soma a eles como mais uma camada de verificação da origem da produção, especialmente em mercados mais sensíveis a critérios socioambientais.
Desafio para toda a cadeia
Para empresas que atuam na originação e exportação de commodities, acompanhar a regularidade do CAR dos fornecedores é parte de um processo mais amplo de gestão de risco documental, que também envolve certificações de sustentabilidade, registros de origem e demais exigências aduaneiras. A tendência é que essa atenção à base fundiária e ambiental continue crescendo, na medida em que compradores, bancos e seguradoras internacionais incorporam critérios socioambientais às suas próprias políticas de compra e financiamento.
A Agri Fusion Exports acompanha essa evolução das exigências documentais como parte de seu compromisso com práticas responsáveis na originação de soja, milho, sorgo e algodão, buscando manter processos alinhados às melhores práticas do comércio internacional de commodities agrícolas.
