Quando se fala em exportação de grãos pelo Sul do Brasil, os portos de Paranaguá e Rio Grande costumam concentrar as atenções. Mas a diversificação da matriz logística agrícola brasileira também passa por terminais menores e mais antigos, como o Porto de São Francisco do Sul, em Santa Catarina — uma estrutura que vem ganhando relevância complementar no escoamento de grãos produzidos no oeste catarinense e em regiões vizinhas do Paraná.
Um porto histórico com vocação multimodal
Um dos portos mais antigos do país, o terminal catarinense historicamente movimentou uma combinação diversificada de cargas, incluindo granéis sólidos agrícolas. Sua localização na costa norte de Santa Catarina o coloca em posição estratégica para atender à produção de milho e outros grãos do oeste do estado, área com forte presença de agroindústrias e cooperativas voltadas à originação de commodities.
A conexão com rodovias regionais, como a BR-280, e a proximidade com polos industriais do Vale do Itajaí ajudam a justificar o interesse de operadores logísticos em utilizar o terminal como rota alternativa, especialmente em períodos de maior congestionamento nos grandes complexos portuários do Sul.
Limitações que pedem investimento
Como ocorre com diversos portos de menor porte, a capacidade de movimentação e o calado disponível em São Francisco do Sul impõem limites em comparação a terminais de maior escala, o que costuma exigir operações de dragagem periódica e investimentos contínuos em infraestrutura de armazenagem e carregamento. Esses fatores tendem a pesar na equação de custo-benefício na hora de definir rotas de escoamento, ao lado de variáveis como frete rodoviário, distância até a origem da produção e disponibilidade de berços de atracação.
Por que a diversificação portuária importa
Para o setor exportador, contar com alternativas portuárias regionais é uma forma de mitigar riscos logísticos. Gargalos em um único corredor — por volume de embarques concentrado em determinada época da safra, manutenção de acessos ou mesmo condições climáticas — podem ser parcialmente absorvidos quando existem rotas alternativas disponíveis.
- Redução da dependência de poucos corredores logísticos concentrados;
- Possível diminuição de custos de frete rodoviário para produtores localizados mais próximos de portos regionais;
- Maior resiliência da cadeia de exportação diante de imprevistos operacionais;
- Estímulo a investimentos em infraestrutura em regiões historicamente menos atendidas pela logística de granéis.
A Agri Fusion Exports acompanha com atenção o desenvolvimento da infraestrutura logística em diferentes regiões do país, avaliando rotas e terminais que possam contribuir para a eficiência do escoamento de soja, milho, sorgo e algodão. Em um cenário de produção agrícola cada vez mais distribuída pelo território nacional, a maturidade de portos regionais como o de São Francisco do Sul tende a ganhar importância crescente na estratégia logística do agronegócio exportador brasileiro.
