À medida que compradores internacionais de soja passam a exigir mais garantias sobre a origem e o modo de produção dos grãos, certificações voltadas à sustentabilidade ganham peso nas negociações comerciais. Uma delas é a RTRS (Round Table on Responsible Soy, ou Mesa Redonda sobre Soja Responsável), iniciativa multissetorial que reúne produtores, indústria, organizações não governamentais e outros elos da cadeia para estabelecer critérios de produção responsável do grão.
Diferentemente de certificações voltadas especificamente à ausência de organismos geneticamente modificados ou ao uso em biocombustíveis, a RTRS tem um recorte mais amplo, combinando exigências ambientais e sociais. Entre os critérios costumam estar a não conversão de áreas nativas após uma data de referência, o respeito a direitos trabalhistas e o relacionamento adequado com comunidades do entorno das áreas produtoras.
Como funciona a certificação
A adesão à RTRS normalmente passa por auditoria independente nas propriedades produtoras e pode seguir diferentes modelos de cadeia de custódia, como segregação física do produto certificado, balanço de massa (mistura controlada com produto não certificado, mantendo a proporção declarada) ou sistema de créditos, em que o comprador adquire certificados correspondentes ao volume produzido de forma responsável, sem necessariamente rastrear o grão físico até a origem.
Essa flexibilidade é um dos motivos pelos quais o esquema tem atraído interesse de diferentes elos da cadeia da soja, especialmente os que fornecem a mercados europeus e asiáticos com políticas corporativas de sustentabilidade cada vez mais rígidas.
Relevância para o exportador brasileiro
Para empresas exportadoras, contar com fornecedores certificados ou caminhar na direção da certificação pode significar:
- Acesso a nichos de compradores dispostos a reconhecer o diferencial socioambiental do produto;
- Maior alinhamento com exigências que já vêm sendo discutidas em regulamentações internacionais sobre desmatamento e origem de commodities;
- Fortalecimento da reputação da cadeia produtiva brasileira perante o mercado internacional.
Por outro lado, o processo de certificação envolve custos de auditoria, adequação de registros na fazenda e, em muitos casos, coordenação entre produtor, trading e comprador final para que a documentação de cadeia de custódia seja consistente do campo até o destino.
Na Agri Fusion Exports, o acompanhamento de esquemas de certificação como a RTRS faz parte do interesse permanente da empresa em entender as exigências que moldam o comércio internacional de soja, milho, sorgo e algodão, buscando sempre alinhar sua atuação às boas práticas valorizadas pelos mercados compradores.
