No comércio internacional de commodities agrícolas, certificações de sustentabilidade deixaram de ser um diferencial e passaram a funcionar, cada vez mais, como condição de acesso a determinados mercados. Entre essas certificações, a ISCC (International Sustainability and Carbon Certification) vem ganhando relevância para exportadores brasileiros de soja, especialmente quando o destino final do grão ou de seus derivados é a produção de biocombustíveis.

O que é a certificação ISCC

A ISCC é um sistema de certificação internacional voltado à sustentabilidade de cadeias produtivas usadas como matéria-prima para energia renovável. Criada originalmente para atender a diretrizes europeias de biocombustíveis, ela avalia critérios como origem da área plantada, rastreabilidade da produção até o embarque e redução de emissões de gases de efeito estufa ao longo da cadeia. Para a soja brasileira destinada à produção de biodiesel na Europa, por exemplo, contar com esse selo pode ser o que diferencia uma carga apta a ingressar no mercado de uma carga restrita a usos menos exigentes.

Por que isso importa para o exportador

Do ponto de vista prático, a certificação ISCC está associada a exigências de documentação e monitoramento que vão além do que tradicionalmente se pede em uma exportação convencional de grãos. Isso inclui comprovar que a área de produção não teve supressão de vegetação nativa após uma data de corte específica, além de manter sistemas de balanço de massa que garantam a rastreabilidade do produto certificado em toda a cadeia, do produtor rural até o porto de embarque. Esse nível de controle tende a se tornar ainda mais relevante à medida que regulamentações internacionais sobre desmatamento e sustentabilidade de cadeias agrícolas se tornam mais rígidas.

Um movimento que também passa pelo Brasil

Internamente, o país também avança em seus próprios marcos regulatórios de sustentabilidade energética, como o RenovaBio, o que cria um ambiente em que critérios de origem sustentável da matéria-prima agrícola ganham importância tanto para o mercado doméstico de biocombustíveis quanto para a exportação. Na prática, isso significa que produtores e tradings que já se organizam para atender a exigências internas de sustentabilidade tendem a estar mais preparados para certificações como a ISCC quando o destino é o mercado externo.

O papel das empresas exportadoras

Para empresas que atuam na exportação de soja, como é o caso da Agri Fusion Exports, acompanhar a evolução desses selos de sustentabilidade é parte do trabalho de manter a competitividade da carga brasileira em mercados cada vez mais seletivos. Mais do que uma exigência burocrática, a certificação de sustentabilidade tende a se consolidar como um fator de diferenciação comercial, especialmente para compradores que precisam, eles próprios, comprovar a origem sustentável de sua matéria-prima perante seus próprios reguladores.

À medida que o mercado de biocombustíveis cresce globalmente, é provável que esse tipo de certificação ganhe ainda mais peso nas negociações, reforçando a tendência de que sustentabilidade documentada e rastreabilidade de ponta a ponta se tornem parte estrutural do comércio exterior do agronegócio brasileiro.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *