Entre os elos menos conhecidos da logística de exportação agrícola brasileira está um pequeno distrito no oeste do Pará: Miritituba, parte do município de Itaituba. É ali, às margens do rio Tapajós, que caminhões vindos do Centro-Oeste e do Matopiba descarregam soja e milho para que a carga siga o restante do trajeto até os portos do Norte a bordo de comboios de barcaças. Esse tipo de operação, conhecido como transbordo rodofluvial, tornou-se um dos símbolos práticos do chamado Arco Norte.

A lógica por trás do modelo é simples: percorrer de caminhão apenas o trecho em que não há alternativa viável, e transferir a carga para o transporte fluvial assim que possível, aproveitando o baixo custo por tonelada dos rios amazônicos em longas distâncias. Em Miritituba, a soja e o milho descem a BR-163 desde regiões produtoras distantes e, uma vez transbordados, seguem por hidrovia até terminais portuários como os de Barcarena e Santarém, de onde partem para o mercado internacional.

Um nó logístico sob pressão

Justamente por concentrar um volume expressivo de cargas em poucos meses do ano — no auge do escoamento da safra de verão —, Miritituba enfrenta desafios operacionais recorrentes: filas de caminhões, necessidade de pátios de espera organizados, coordenação entre transportadoras e operadores portuários, e a exigência de licenciamento ambiental compatível com a escala da atividade. Esses fatores tornam o transbordo um ponto de atenção permanente para quem planeja a logística de exportação a partir do Centro-Oeste e do Oeste da Bahia.

Ainda assim, o modelo rodofluvial seguiu ganhando relevância nos últimos anos, à medida que produtores e exportadores buscam alternativas às rotas tradicionais que escoam pelos portos do Sudeste e Sul do país. A combinação de rodovia mais hidrovia tende a reduzir a distância média percorrida por caminhão até o embarque final, o que pode se traduzir em ganhos de competitividade para a produção de regiões mais distantes do litoral.

Por que isso importa para o exportador

Para exportadoras como a Agri Fusion Exports, que atua a partir de Luís Eduardo Magalhães, no Oeste da Bahia, compreender o funcionamento de nós logísticos como o de Miritituba é parte do trabalho de planejar rotas de escoamento mais eficientes para soja e milho. À medida que a infraestrutura ao longo do Arco Norte evolui, pontos de transbordo como esse tendem a continuar desempenhando um papel relevante na forma como o agronegócio brasileiro conecta a produção do interior aos mercados internacionais.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *